Crise afeta comportamento de paciente e médico
- Dra Helena Villela Rosa

- 11 de out. de 2020
- 2 min de leitura
Duas pesquisas mundiais da Kantar e da McCann mostram como a crise e as mudanças para os canais virtuais, aceleradas durante a pandemia, abalam o comportamento de médicos e consumidores. O Brasil fica na liderança mundial de desmarcação ou adiamento de consulta, 64%, ao lado da Itália, e um pouco a frente da Espanha, 63%, destacou o Valor Econômico nesta sexta-feira (9). O Japão ficou na lanterninha, só 12% dos pacientes desmarcaram ou adiaram a consulta, entre 11 países pesquisados pela Covid Pulse Survey, da Kantar em julho. Na maioria dos países (55%) foi o próprio consultório que cancelou ou adiou. Em segundo lugar (35%), foram os pacientes que adiaram ou suspenderam. Os check-ups anuais foram deixados de lado por 38% no mundo inteiro. Neste item o campeão foi os EUA, com 40%. No Brasil, o índice ficou em 17%. Testes de diagnósticos, como exames de sangue e mamografias, foram adiados em todo mundo em 23% dos casos. No Brasil, 28%. A Itália ficou na liderança nesse quesito, 39%. Os sintomas de depressão nos 11 países pesquisados cresceram para 48% durante a pandemia. Eram 37% no período pré-pandemia. Brasil, Espanha e Itália são três países onde sintomas aparecerem na maior parte da população, 60%, 61% e 63% respectivamente. O Japão foi o país com a população menos deprimida: 60%. Nos EUA, entre 2019 e 2020, o percentual de pessoas com depressão cresceu de 26% para 53%. Já os que se queixam de ansiedade subiram de 3% para 11%. Os médicos estão sendo afetados profundamente pelas mudanças dos últimos tempos, como o aumento da digitalização, a pressão por resultados econômicos e pela pressa, em prejuízo da qualidade, segundo a pesquisa “A verdade sobre os médicos”, conduzida pela McCann, ouvindo 2 mil médicos em 16 diferentes mercados. Frustração é a segunda palavra mais usada pelos próprios profissionais associada a sua prática. O cuidado com o paciente foi substituído pelo negócios, queixam-se. A maioria deles, 66%, têm problemas de sono, sendo 72% no Brasil e 82% na China. No quesito problemas no casamento, a Alemanha, fica em primeiro, com 73% dos médicos respondendo sim. Nos Estados Unidos, 65%. A média global é 52%. Os médicos se sentem também afogados pela quantidade de informações que recebem: algo como 300 milhões de livros em saúde durante uma vida. Inalcançável para um ser humano. Já os pacientes cada vez mais se julgam conhecedores de medicina: 37% deles acham que sabem mais do que os médicos. Embora errem nos diagnósticos, segundo 69% dos médicos.

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