Telemedicina aumenta acesso a serviço de saúde
- Dra Helena Villela Rosa

- 10 de nov. de 2020
- 2 min de leitura
Na pandemia, o acesso à saúde ganhou novas definições graças à conexão digital entre médicos e pacientes, destacou o jornal O Estado de S.Paulo nesta segunda-feira (9). Para responder à necessidade de isolamento, as teleconsultas foram autorizadas em caráter extraordinário. Apesar de ter limites, a modalidade se mostrou eficiente e garantiu que milhares de pessoas fossem atendidas em segurança. Mas modalidades dentro do guarda-chuva da telemedicina já vinham sendo praticadas. “O que surgiu agora é a teleconsulta, em que o médico pode pedir exames, prescrever. Mas é parte de um cuidado integrado. Em casos que não podem ser resolvidos, o paciente é encaminhado a uma unidade física por um sistema de fast track e entra direto, sem ficar em esperas”, diz Tereza Veloso, diretora técnica médica e de Relacionamento com Prestadores da SulAmérica. Com o isolamento, o atendimento a distância foi uma forma de evitar que pacientes fossem a um pronto-socorro para tratar situações que poderiam ser resolvidas de outra forma. “A segurança que as pessoas tinham em ir ao PS em qualquer situação acabou. A telemedicina trouxe a oportunidade de dar um direcionamento assertivo”, afirma Carolina Pampolha, chefe de operações da Docway, startup de telemedicina que já trabalhava com orientação ao telefone. As tecnologias para atendimento a distância já são conhecidas, mas nunca se havia experimentado condições tão propícias para a telemedicina, diz Jose Solis-Padilla, administrador de Desenvolvimento de Negócios da Mayo Clinic, nos Estados Unidos. “Os planos de saúde agora estão dispostos a pagar por consultas remotas.” Desde 2018, o Hospital Infantil Sabará praticava uma modalidade de telemedicina em que o setor de cardiologia recebia orientações de um hospital parceiro nos Estados Unidos. Com a pandemia, os serviços foram ampliados. A urgência foi o primeiro setor a atender a distância. A iniciativa se expandiu para as consultas com especialistas. Os médicos foram treinados, e as salas, transformadas para incluir a possibilidade de teleconsulta. Se o modelo se consolidar, as consequências podem ir além de diminuir a espera na emergência, levando atendimento de especialistas a regiões onde não há um disponível. Carballo defende ainda que a telemedicina seja levada para as escolas, como prevenção e promoção de saúde. Embora dependendo de regulamentação definitiva – o Conselho Federal de Medicina (CFM) prepara uma ainda para este ano –, ninguém questiona as vantagens da telemedicina. Mas, para que seja realmente um avanço na promoção da saúde da população, o tema exige cuidados. Um deles é manter o vínculo de confiança, defende Donizetti Dimer Giamberardino Filho, vice-presidente do CFM. “O principal valor da medicina é a relação entre médico e pacientes”, diz. Segundo ele, o texto do CFM deve recomendar sempre uma primeira consulta presencial, ou modelo híbrido com uma teleconsulta seguida de uma consulta presencial poucos dias depois. Dessa forma, a continuidade do tratamento de pacientes que já tenham diagnóstico ou o monitoramento de doentes crônicos pode ser feito à distância com mais eficiência. As novas regras devem ainda valorizar a autonomia do paciente, para que ele possa decidir se quer teleconsulta ou presencial. O médico também deve ter autonomia para dizer em que situações um exame físico presencial é imprescindível. “O médico continua responsável pelos seus atos, da mesma forma que no presencial”, ressalta o representante do CFM. (Fonte: NK Consultoria)

Comentários